Se você já procurou casa em Portugal, reparou numa letra ao lado do preço: A+, B, C, D. Muita gente ainda passa reto por ela, mas essa classe energética deixou de ser um detalhe burocrático e virou um dos critérios que mais pesam na hora de negociar, financiar e revender um imóvel.
O que é a certificação energética
O certificado energético avalia a eficiência de um imóvel numa escala que vai de A+ (muito eficiente) até F (pouco eficiente). Ele é emitido por peritos qualificados e autorizados pela ADENE (Agência para a Energia), que gere o Sistema de Certificação Energética dos Edifícios em Portugal.
Na prática, o documento diz o quanto a casa "gasta" para aquecer, arrefecer e produzir água quente, e sugere melhorias para subir de classe. Para habitação, o certificado tem, em regra, validade de 10 anos, e costuma ficar pronto em 2 a 3 dias após a visita do perito.
Por que virou obrigatório e o que custa
A classe energética é obrigatória em qualquer anúncio de venda ou arrendamento, e o certificado deve ser tratado antes de publicitar o imóvel. Não é opcional: quem anuncia sem indicar a classe fica sujeito a coima entre 250 e 3.740 euros no caso de pessoas singulares, e entre 2.500 e 44.890 euros para empresas. A fiscalização cabe à ADENE e à ASAE.
A boa notícia é que o custo de tirar o certificado é modesto perto do valor de um imóvel. A taxa da ADENE varia conforme a tipologia, entre cerca de 28 euros (T0/T1) e 65 euros (T6 ou maior), mais IVA. Somando os honorários do perito, o custo total para uma habitação costuma ficar entre 150 e 300 euros.
Como a classe influencia o preço e a revenda
Aqui está a parte que mais interessa a quem compra ou vende. A classe energética influencia como o imóvel é anunciado, pesa na decisão de compra e altera a percepção de valor da casa. Imóveis de classe A ou B atraem mais interesse porque significam, de forma bem concreta, contas de energia mais baixas e mais conforto térmico no inverno e no verão.
Há também o lado fiscal e financeiro. Um imóvel eficiente pode dar acesso a benefícios em sede de IMI ou IMT e a linhas de financiamento com condições melhores, quando disponíveis, além de tender a valorizar melhor ao longo do tempo. Do outro lado da escala, uma casa D, E ou F carrega um "custo escondido": o comprador já entra sabendo que vai precisar investir em obras para reduzir gastos, e isso costuma virar argumento de desconto na negociação.
Nova construção: quase tudo é classe A
Quem procura eficiência encontra terreno fértil nos imóveis novos. Como promotores e construtores hoje têm de cumprir padrões elevados, a grande maioria dos edifícios habitacionais recém-concluídos sai com classe A ou A+. Isso ajuda a explicar por que a etiqueta energética virou também um argumento de marketing no segmento premium.
Segundo dados do idealista referentes ao trimestre encerrado em janeiro de 2026, existiam mais de 6.000 anúncios de casas de luxo com certificado A ou A+ à venda em Portugal. A maior concentração desses imóveis eficientes acima de um milhão de euros aparece em Lisboa, Porto, Faro, na ilha da Madeira e em Setúbal.
O que o comprador deve observar
- Confira a validade: um certificado de 10 anos pode já não refletir obras recentes (para melhor ou pior).
- Compare a classe com a idade da casa: um imóvel antigo de classe C pode ser um bom negócio; um recente que não seja A merece uma explicação.
- Peça a estimativa de consumo: a diferença de conta de luz entre uma classe A e uma classe E, ao longo dos anos, é dinheiro de verdade.
- Use as melhorias sugeridas como planejamento: elas mostram quanto custaria subir de classe depois da compra.
No fim, a certificação energética não substitui os critérios de sempre, como localização, estado de conservação e preço. Mas passou a ser uma peça que conta, tanto para quem quer economizar no dia a dia quanto para quem pensa na revenda lá na frente. Ler bem essa letrinha é uma das formas mais baratas de negociar melhor.