Se você adiou a compra da casa em Portugal com medo dos juros altos, é hora de refazer as contas. A Euribor voltou a subir um pouco em 2026, mas ainda está bem abaixo dos valores que assustaram tanta gente em 2023. Na prática, o crédito à habitação está hoje mais acessível — e entender esses números ajuda você a negociar melhor.
Onde está a Euribor hoje
A Euribor é a taxa que serve de base para a maioria dos créditos à habitação em Portugal. Em junho de 2026, a Euribor a seis meses — a mais usada nos financiamentos por cá — está em torno de 2,6%. É um patamar bem diferente do que se via há pouco mais de dois anos.
Para você ter uma referência: em outubro de 2023, a Euribor a seis meses chegou aos 4,115%, o valor mais alto desde a crise de 2008. Ou seja, mesmo com a ligeira subida deste ano, estamos falando de uma taxa que caiu praticamente pela metade em relação ao pico. O Banco Central Europeu inclusive voltou a subir os juros diretores em 0,25 pontos em 12 de junho de 2026 — a primeira subida desde setembro de 2023 —, mas os especialistas esperam que a Euribor se mantenha relativamente estável, oscilando em torno de 2% ao longo do ano.
Como se calcula a sua prestação
A taxa de juro do seu crédito (a chamada TAN) é a soma de duas partes:
- Euribor — o indexante, que varia ao longo do tempo (a cada 6 ou 12 meses, conforme o contrato).
- Spread — a margem fixa que cada banco cobra, definida quando você contrata o crédito.
Hoje, com a concorrência forte entre os bancos, os spreads estão comprimidos: variam em média entre 0% (em campanhas específicas) e 1,43%. Um bom spread costuma ficar entre 0,6% e 1%, dependendo do seu perfil e da relação com o banco. Com a Euribor a 2,6% e um spread de 1%, chega-se a uma TAN de aproximadamente 3,6%.
Não à toa, a taxa de juro média dos novos créditos à habitação subiu para 2,86% em abril de 2026 — o valor mais alto desde julho de 2025 —, com uma prestação média mensal em torno de 428 euros. São números que voltaram a subir um pouco, mas continuam confortavelmente distantes dos anos de aperto.
Taxa fixa, variável ou mista?
Esta é a dúvida que mais aparece nas conversas com quem vai financiar. Não existe resposta única — depende do seu perfil e da sua tolerância a surpresas na prestação.
Taxa variável
Acompanha a Euribor. Se ela desce, você paga menos; se sobe, a prestação acompanha. Foi a opção tradicional em Portugal — chegou a estar em cerca de 80% dos contratos em vigor no final de 2023.
Taxa fixa
Você sabe exatamente quanto vai pagar durante o período contratado, sem sustos se a Euribor subir. A troca é que também não aproveita eventuais descidas.
Taxa mista
Começa com um período de taxa fixa e depois passa a variável. Virou a preferida do mercado: cerca de 85% dos novos créditos contratados em abril de 2026 foram a taxa mista. É um meio-termo que dá previsibilidade nos primeiros anos e mantém a porta aberta para quando as taxas estiverem mais baixas.
O que mudou nas regras em 2026
Além das taxas, há uma novidade importante para quem vai pedir crédito. O Banco de Portugal apertou a taxa de esforço máxima de 50% para 45% — ou seja, o total das suas prestações mensais não pode ultrapassar 45% do rendimento líquido do agregado. Em contrapartida, houve flexibilização nos prazos dos empréstimos. Na prática, isso significa que vale a pena organizar as finanças e reduzir outras dívidas antes de dar entrada no pedido.
Conclusão: um cenário mais equilibrado
O quadro de 2026 é bem mais amigável do que o de 2023. A Euribor subiu ligeiramente, sim, mas continua num patamar que torna o financiamento viável para muitas famílias. Com spreads competitivos e a taxa mista dando previsibilidade, quem se planeja consegue boas condições. A chave é comparar propostas, negociar o spread e escolher o tipo de taxa que combina com o seu momento de vida — e não decidir apenas pelo medo ou pela pressa.