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Guia Brasil→Portugal · 4 de junho de 2026

Financiamento para brasileiros não-residentes: como comprar imóvel em Portugal com crédito

O que os bancos portugueses financiam ao brasileiro que ainda mora no Brasil — percentuais, documentos e o passo a passo real.

Uma das perguntas que mais recebo é: "Zuleika, dá para financiar um imóvel em Portugal mesmo eu ainda morando no Brasil?" A resposta é sim. Os bancos portugueses têm linhas específicas de crédito habitação para estrangeiros não-residentes, e o brasileiro é um perfil que eles conhecem bem. Só que as regras são diferentes das de quem já vive por aqui — e entender essas diferenças antes de começar faz toda a diferença.

Quanto os bancos financiam para não-residentes

Este é o ponto que mais surpreende quem está acostumado com o financiamento brasileiro. Em Portugal, para quem já é residente, o banco pode chegar a financiar até 90% do imóvel. Mas para o não-residente, o percentual é mais conservador.

Na prática, o financiamento para estrangeiros não-residentes costuma variar entre 60% e 80% do valor do imóvel. O mais comum é o banco financiar cerca de 70%. Vale lembrar que esse percentual (o LTV, ou loan-to-value) incide sobre o menor valor entre o preço de compra e a avaliação feita pelo banco.

Existe ainda uma nuance importante: quem reside dentro do Espaço Económico Europeu pode alcançar até 80%, enquanto quem mora fora dele — caso do brasileiro que ainda vive no Brasil — tende a ficar na faixa de 70% a 75%. Na prática, isso significa que você precisa ter guardada uma entrada de 25% a 30% do valor do imóvel, mais os custos de escritura e impostos.

Taxas, spreads e prazo

O crédito habitação em Portugal costuma ser indexado à Euribor mais um spread (a margem do banco). Em maio de 2026, a Euribor a 12 meses rondava os 2,8%, e sobre isso o banco soma o spread. Para não-residentes, os bancos aplicam spreads mais altos do que os oferecidos a residentes, justamente por perceberem mais risco quando o rendimento é gerado fora da Europa.

Dica de quem vive o mercado: Não feche com o primeiro banco que disser "sim". Cada instituição avalia o perfil brasileiro de forma diferente, e a diferença de spread entre dois bancos pode representar milhares de euros ao longo do contrato. Vale muito a pena fazer simulações em paralelo — ou trabalhar com um intermediário de crédito, que já sabe quais bancos são mais receptivos a não-residentes.

O que os bancos pedem: documentos e comprovação de renda

Aqui está a parte que exige organização. Como sua vida financeira está no Brasil, o banco português precisa "enxergar" sua capacidade de pagamento à distância. Os documentos mais pedidos são:

Um detalhe que pega muita gente de surpresa: como não-residente, você precisará nomear um representante fiscal em Portugal para tratar dos assuntos junto às Finanças. Muitas vezes o próprio contabilista ou o consultor imobiliário ajuda a organizar isso.

Passo a passo prático

Vale a pena?

Financiar como não-residente é totalmente viável e milhares de brasileiros fazem isso todos os anos. O ponto de atenção é que exige mais entrada, mais documentação e um pouco mais de paciência do que para quem já mora aqui. Se você se preparar com antecedência — NIF, papelada de renda organizada e uma reserva para a entrada e os custos — o processo corre bem. E, quando você se muda para Portugal e passa a residente, é possível renegociar o crédito em condições melhores. As regras mudam com frequência, então confirme sempre os números atuais com o banco na hora de fechar.

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Fontes

idealista.pt — Crédito habitação para não residentes em Portugal
novobanco — Crédito Habitação Estrangeiros Não Residentes
UCI — Guia da Compra de Casa para Não Residentes em Portugal (PDF)
DECO PROTESTE — Crédito à habitação para imigrantes e emigrantes: regras
Conteúdo informativo, gerado com apoio de inteligência artificial e revisão editorial. Não constitui aconselhamento financeiro ou fiscal. Condições sujeitas a alteração — confirme sempre os valores e regras atuais.