Se você é brasileiro e sonha em morar em Portugal, provavelmente já ouviu falar dos vistos D7 e D8. Eles se tornaram os dois caminhos mais usados por quem quer se mudar de forma legal e planejada — principalmente depois que a compra de imóvel deixou de dar direito ao antigo Golden Visa. Vou explicar cada um com números concretos de 2026 para você entender qual faz mais sentido para a sua vida.
O que mudou: o fim do Golden Visa por imóvel
Durante anos, muita gente acreditou que bastava comprar uma casa em Portugal para conseguir residência. Isso acabou. Em outubro de 2023, a Lei n.º 56/2023, dentro do pacote Mais Habitação, eliminou a compra de imóveis como forma de obter o Golden Visa. Deixaram de valer as aquisições a partir de 350.000 e 500.000 euros que antes davam direito ao programa.
O Golden Visa ainda existe, mas hoje só por outras vias, como fundos de investimento e apoio cultural. Para a maioria das famílias brasileiras, quem quer de fato viver aqui, os caminhos práticos passaram a ser o D7 e o D8.
Visto D7: para quem vive de renda ou aposentadoria
O D7 é o visto de residência para quem tem rendimentos passivos e estáveis — aposentadoria, aluguéis, pensões, dividendos ou aplicações que pinguem todo mês. É o queridinho de aposentados e de quem construiu patrimônio que gera renda sozinho.
- Renda mínima: pelo menos 1 salário mínimo português por mês, que em 2026 é de 920 euros para o titular.
- Dependentes: some 50% para o cônjuge (cerca de 460 euros) e 30% por filho (cerca de 276 euros).
- Poupança: costuma ser exigido um valor guardado em conta portuguesa equivalente a 12 salários mínimos (cerca de 11.040 euros).
- Origem da renda: precisa ser passiva e comprovável, não depende de você trabalhar ativamente.
Visto D8: para o nômade digital e o trabalhador remoto
O D8 é a via oficial de residência para quem trabalha remotamente para empresas ou clientes de fora de Portugal — funcionários CLT em regime remoto, freelancers e prestadores de serviço. A grande diferença é que a renda vem do seu trabalho ativo, não de rendimentos passivos.
- Renda mínima: em torno de 4 salários mínimos, ou seja, cerca de 3.680 euros por mês em 2026.
- Origem da renda: tem que vir de fora de Portugal, comprovada com contratos, declarações fiscais e comprovantes formais.
- Formalidade: pagamentos informais, sem recibo ou sem declaração, tendem a não ser aceitos.
D7 ou D8: como escolher
A escolha é mais simples do que parece e depende de de onde vem o seu dinheiro:
- Se você é aposentado ou vive de aluguéis, dividendos e aplicações: o caminho natural é o D7, com a exigência de renda bem menor.
- Se você trabalha remoto e recebe salário ou honorários de clientes lá de fora: o seu visto é o D8, que pede uma renda mensal maior, mas reconhece o trabalho ativo.
Nos dois casos, o visto de residência é válido por cerca de 120 dias para você entrar em Portugal. Dentro desse prazo, agenda-se o atendimento na AIMA para coleta de biometria e emissão da autorização de residência, válida por 2 anos e renovável. Vale lembrar que, desde 2026, boa parte do pedido de D8 passou a ser feita presencialmente pela VFS Global.
Um ponto importante antes de decidir
As regras de imigração em Portugal mudam com frequência — valores, salário mínimo de referência e procedimentos são atualizados quase todo ano. Os números aqui servem para você se planejar, mas confirme sempre os requisitos atuais nas fontes oficiais: o portal de vistos do governo português e a AIMA, ou junto ao consulado que atende a sua região. Um bom projeto de mudança combina o visto certo com uma escolha inteligente de onde morar — e é aí que eu posso te ajudar a entender o mercado do Algarve e de Portugal com segurança.