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Mercado · 14 de setembro de 2026

Rendas em máximos e nova reforma: o que está a mudar no arrendamento em Portugal em 2026

Novos dados do INE, proposta de lei aprovada em julho e o impacto real para quem aluga ou quer investir

O mercado de arrendamento em Portugal vive um momento de dupla pressão: as rendas de novos contratos continuam a subir e já atingem valores históricos, enquanto o Governo aprovou, em julho de 2026, uma das reformas mais ambiciosas do regime do arrendamento urbano dos últimos anos. Para quem está a pensar em viver, investir ou entender Portugal de fora, é fundamental conhecer o cenário atual — e o que ainda está por vir.

Rendas em máximos: os números que mostram a realidade

Os dados mais recentes do INE, publicados em junho de 2026, pintam um retrato muito claro do mercado. A renda mediana nacional de novos contratos ficou em 9,46 euros por metro quadrado no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma subida de 9,1% em relação ao mesmo período de 2025. Para ter uma ideia prática: um apartamento T2 de 80 metros quadrados custa, em média, cerca de 757 euros por mês de arrendamento em termos medianos a nível nacional.

Mas as diferenças regionais são enormes. Lisboa é, de longe, o município mais caro do país: a renda mediana de um T2 na capital atingiu 1.617 euros por mês no primeiro trimestre de 2026, uma subida homóloga de +8,9% e de +5,2% face ao trimestre anterior. Em municípios como Cascais e Oeiras, os valores também se mantêm entre os mais altos do país. Na sub-região da Grande Lisboa, a mediana chegou a 14,38 euros por metro quadrado.

Um detalhe técnico importante: estes valores referem-se a novos contratos. Para contratos já em vigor, a atualização anual das rendas em 2026 está limitada a 2,24% — o coeficiente definido pelo INE com base na inflação. Ou seja, quem já tem contrato assinado está relativamente protegido de subidas abruptas; quem vai assinar agora enfrenta os preços de mercado.

A reforma do arrendamento aprovada em julho de 2026: o que prevê

Em 9 de julho de 2026, o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de reforma do regime do arrendamento urbano, apresentada pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, no âmbito da estratégia "Construir Portugal". O objetivo declarado é aumentar a oferta de casas no mercado, reforçar a confiança entre senhorios e inquilinos, e encontrar um novo equilíbrio entre direitos e deveres de ambas as partes.

Entre as principais mudanças previstas na proposta, destacam-se:

O pacote inclui ainda a criação de um Fundo de Emergência Habitacional, voltado para as famílias em situação de maior vulnerabilidade.

⚠️ Atenção antes de agir: O Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei, não uma lei já em vigor. A proposta deu entrada na Assembleia da República em agosto de 2026 e ainda precisa de aprovação parlamentar, promulgação pelo Presidente da República e publicação em Diário da República. Especialistas jurídicos estimam que a aplicação efetiva das novas regras só deverá ocorrer no final de 2026 ou início de 2027. Até lá, todas as regras atuais continuam a vigorar. Consulte sempre um advogado ou profissional imobiliário de confiança antes de tomar decisões com base nas mudanças anunciadas.

Incentivos fiscais para senhorios: o que já existe

Enquanto a reforma do arrendamento ainda percorre o processo legislativo, alguns incentivos fiscais já estão em vigor e vale a pena conhecê-los. O Governo criou o Regime Simplificado de Arrendamento Acessível: senhorios que pratiquem rendas 20% abaixo da mediana do respetivo concelho ficam totalmente isentos de IRS sobre os rendimentos prediais, desde que o contrato seja mínimo de três anos e destinado a residência permanente. Para inquilinos, a possibilidade de dedução de despesas com rendas no IRS também se mantém em vigor — confirme os valores atualizados junto das Finanças ou de um contabilista.

O que tudo isto significa para quem investe em imóveis para arrendar

Para o investidor, o cenário pede leitura cuidadosa. Por um lado, as rendas de novos contratos continuam em máximos históricos, especialmente em Lisboa e na Grande Lisboa, o que pode parecer atrativo. Por outro, a rentabilidade bruta do arrendamento em Portugal desceu para 6,2% no segundo trimestre de 2026, pressionada pela subida mais acelerada dos preços de compra face às rendas — os imóveis residenciais ficaram, em média, 14% mais caros em termos homólogos, enquanto as transações caíram 7%.

Isso significa que o spread entre o que se paga para comprar e o que se recebe de renda está a estreitar-se. Não é impossível fazer o negócio funcionar — mas é preciso escolher bem a localização, o tipo de imóvel e o perfil de arrendatário. Mercados fora de Lisboa, como Porto, Braga ou Setúbal, podem oferecer relações preço/renda mais favoráveis, dependendo da zona e da tipologia.

Conclusão: um mercado em transformação, com oportunidades e cautelas

O mercado de arrendamento em Portugal está genuinamente a mudar — nos preços, nas regras e no equilíbrio de forças entre senhorios e inquilinos. A reforma aprovada em julho de 2026 é a mais relevante dos últimos anos, mas ainda está em tramitação parlamentar: nada deve ser dado como certo até à publicação em Diário da República. Para quem está de fora, seja a pensar em morar de arrendamento ou a considerar um investimento para renda, o momento exige informação atualizada, assessoria jurídica competente e paciência para acompanhar o processo legislativo até ao fim.

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Fontes

idealista/news — Arrendar casa em Portugal: o que vai mudar para senhorios e inquilinos (agosto 2026)
ECO Sapo — Rendas, crédito e impostos: tudo o que muda na habitação em 2026
Montepio — Preços das rendas em Portugal: quanto custa arrendar casa em 2026?
Dinheiro Vivo — Investimento imobiliário comercial em Portugal cresce no 1.º semestre de 2026
Conteúdo informativo, gerado com apoio de inteligência artificial e revisão editorial. Não constitui aconselhamento financeiro ou fiscal. Condições sujeitas a alteração — confirme sempre os valores e regras atuais.